Quando se fala em inovação, o imaginário coletivo costuma correr direto para aplicativos, inteligência artificial e startups de base tecnológica. A Soé, uma marca de acessórios em acrílico que traduz a identidade paraibana em design contemporâneo, foi ao Web Summit para provar que esse conceito é muito mais amplo e que a Paraíba também tem o que o mundo quer ver.
Atualmente incubada no Parque Tecnológico Horizontes de Inovação, ecossistema de inovação do estado, a Soé foi selecionada por um edital do Governo da Paraíba, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior e com apoio da FAPESQ (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba), para integrar a comitiva paraibana no Web Summit Rio 2026.
Realizado anualmente no Rio de Janeiro em sua edição latino-americana, o Web Summit é uma conferência global que reúne mais de 30.000 visitantes, 1.500 startups e palestrantes de todo o mundo para debater tendências, tecnologia, mercado e inovação. No palco e nos stands, gigantes como Google e Microsoft dividem espaço com pequenos empreendedores em uma dinâmica que prioriza o networking e as conexões reais.
Sobre a marca
Fundada em 2021, a Soé produz acessórios autorais com propósito definido: usá-los como veículo de cultura e identidade paraibana. Suas peças contam histórias sobre o estado, e quem as usa, além de tornar-se disseminador dessa narrativa, traz a Paraíba para junto da sua imagem como um aspecto relevante da sua identidade.


A Soé, porém, não foi selecionada apenas pela força da narrativa. Por trás das peças, há diversos aspectos importantes: a empresa construiu processos internos bem estruturados, metodologias documentadas, uma comunicação organizacional sólida, e também possui um histórico de fomentos como startup de inovação.
“O estado oferece as oportunidades, mas a gente enquanto empresa, também deve se preparar para elas” – Maria Lívia Cunha.
O que é inovar, afinal?
Ser a única marca paraibana de moda autoral num ambiente majoritariamente digital poderia até soar estranho, mas na prática, foi o contrário. O mercado de inovação, por natureza, opera com a cabeça aberta, e a matéria-prima que a Soé domina – o afetivo, o sensorial, o cultural – é uma linguagem que ultrapassa segmentos.
E, para a marca, inovar também passa pela comunicação. “Quando a gente fala de inovação, não necessariamente estamos falando de negócios que tenham base tecnológica”, explica Maria Lívia Cunha, uma das idealizadoras da marca. “Tem a ver com criar o novo de diversas formas, e a Soé inova na forma de comunicar a cultura”.
No próprio evento, a marca encontrou referências que corroboram essa definição mais ampla: Havaianas e Farm, que trabalham na interseção de cultura e moda e alcançaram projeção global, também marcaram presença. Marcas que possuem uma identidade muito clara e encontraram no mundo exatamente o público que procurava o que elas tinham a oferecer. Para a Soé, compartilhar o mesmo espaço foi a confirmação de que a cultura é, sim, um ativo de inovação, e que a Paraíba também tem o seu a apresentar.
O que volta para a Paraíba
A participação no Web Summit Rio 2026 ampliou horizontes, e a Soé voltou para João Pessoa com uma mentalidade clara: nenhuma empresa amadurece fechada em si mesma. É preciso sair, olhar o mundo, trocar experiências, mas sempre com a perspectiva de voltar com esse conhecimento para fortalecer o mercado interno.
A meta declarada é criar algo globalmente relevante a partir da Paraíba, levando o estado junto. E parte disso envolve incentivar outras marcas, especialmente aquelas lideradas por mulheres, a também ocuparem esses espaços, sem se limitarem ao que já conhecem.
A presença da moda autoral paraibana no maior evento de inovação da inovação da América Latina é evidência de que quem produz a partir do regional também tem potência e visão para conquistar palcos globais.