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@modainparahyba

Conheça a Quetz, marca de Jonatha Kayo que migrou de bolsas para moda autoral paraibana

A marca vende identidade em forma de vestir, e pra Jonatha essa identidade não nasce pronta: se constrói coleção após coleção.

Conheci a Quetz num scroll qualquer do Instagram, eram bolsas de micanga e macramê que eu nunca tinha visto, fotos com aquela qualidade que faz a gente esquecer que é uma marca pequena. Em dezembro de 2024 mandei minha primeira mensagem como cliente, atrás da baguete Brisa azul. Não tinha mais na cor, só por encomenda. Eu disse que comprava depois. A bolsa ficou meses na minha lista de desejos, sempre empurrada para trás porque sempre surgia outra prioridade na frente. Mas na minha cabeça ficou martelando um nome impossível de esquecer: Quetz.

Em Junho de 2025 chegou uma DM me chamando para colaborar na primeira coleção de roupas da marca, a Savage. Topei na hora, entrei com produção de moda e uns pitacos criativos, e foi ali que conheci Jonatha Kayo, diretor criativo da Quetz. Marcamos um café e ele espalhou a coleção entre a gente: estampas, inspiração, o plano para a festa de lançamento. Depois vieram reuniões online, o ensaio da Savage, a festa. Com o tempo fui conhecendo a pessoa por trás da marca, não só a marca.

O que descobri? Alguém com vontade de fazer acontecer, que acredita no potencial de quem está por perto, se esforça e não pretende chegar sozinho em lugar nenhum. Então para o primeiro perfil do portal, não tinha outro nome. Jonatha esteve perto desde o início, bateu palma pro meu trabalho, apoiou antes de eu pedir. 

 Ensaio da coleção Savage. Foto: @allefneves

A Quetz vende identidade em forma de vestir. E identidade, pra Jonatha Kayo, não nasce pronta, se constrói coleção após coleção.

Foi assim desde as primeiras pulseiras de miçanga feitas na pandemia, passou pelo prêmio na Expo Favela Paraíba e chegou na virada mais recente: de marca de acessório para moda de verdade, com estampa assinada por artista paraibano. Estudante de administração no sétimo período, Jonatha ainda está decidindo, coleção a coleção, quem a Quetz quer vestir. E é esse movimento, o de uma marca que cresce enquanto se descobre, que puxa essa história.

Tudo começou em 2020, na pandemia, quando Jonatha passou a fazer pulseiras de miçanga e macramê por conta própria. Não fez curso de moda, aprendeu sozinho, na internet, testando ponto por ponto.

 “Todo o manual que eu sei hoje, tanto de macramê quanto da trama de miçanga, eu aprendi com a internet, na curiosidade de desenvolver”, conta.

O nome da marca, na época, ainda era outro, uma referência ao mar.

O empurrão que faltava veio por volta de 2023, quando o fotógrafo Aleph, amigo de Jonatha, pediu uma bolsa de miçanga do tamanho de uma carteira, só pra guardar o celular. Jonatha, então com 18 anos, trabalhava como jovem aprendiz numa indústria de peças automotivas. Fez a bolsa, e foi aí que percebeu o tamanho do que tinha nas mãos. “Foi quando eu achei brilhante”, diz.

No fim de 2023, a marca passou por um rebranding, um processo de naming e identidade visual feito com a designer Aline. Das referências que Jonatha trouxe, praia, mar, natureza, saiu o nome Quetz, inspirado no quetzal, ave verde e vermelha de rabo longo que ele descreve como incrível de ver abrindo as asas. Em janeiro de 2024, a Quetz lançou sua primeira coleção: bolsas de miçanga e colares, ainda todos feitos por encomenda.

O restante de 2024 trouxe as peças que projetaram a marca, como a bolsa Brow e a Baguete Brisa. Mas foi em novembro, na Expo Favela Paraíba, que a Quetz deu o salto: ficou em 19º lugar entre mais de seis mil inscrições e levou 40 mil reais de aporte. “Foi quando o jogo virou pra Quetz, de um jeito bom”, resume Jonatha.

 Foto: Arquivo pessoal

Com o aporte, recebido em meados de 2025, veio outro rebranding e a primeira leva de contratações, entre elas estudantes que Jonatha faz questão de incluir no time. A Quetz também deu início a um projeto que ele diz ser um dos que mais gosta: convidar designers e artistas paraibanos pra assinar estampas das coleções. A primeira, batizada de Savage, com Dan Souto, saiu em setembro de 2025. A segunda, a Traços, em parceria com o artista João Netto, chegou em dezembro do mesmo ano.

A virada de acessório pra vestuário não veio com manual pronto. “Quando entrei no vestuário, entrei completamente no escuro, não sabia de nada. Fui pesquisar tecido, gramatura, tudo que eu conseguia buscar”, conta Jonatha. Aprendeu sozinho, testando, errando, ajustando, do mesmo jeito que aprendeu miçanga e macramê na pandemia.

Ensaio da coleção Traços em parceria com o artista João Netto. Foto: @eusoufefa

Essa construção passa também por quem Jonatha é. Inserido na comunidade LGBT, ele vê nela o grupo que mais quer alcançar com a marca. “Eu gosto muito da comunidade, sinto que me relaciono bem com ela”, diz. E identidade em forma de vestir não é só o slogan, é também uma busca pessoal: “Eu procurava algo que eu mesmo gostasse de vestir, peças que a gente normalmente não encontra aqui.”

Cada coleção da Quetz termina com um projeto sustentável, feito com a sobra de tecido da coleção anterior. Da Savage sobrou um scrunchie, um lenço e uma bolsinha de macramê. Da Traços, o que sobrar ainda vai virar peça nova, em julho. E já tem outra coleção em desenvolvimento para este ano, com artista confirmado e tudo, mas Jonatha guarda segredo.

Foto do criador 'Jonatha Kayo'

Vitória Sodré

Editora-chefe

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